terça-feira, 24 de julho de 2012

Leituras de férias

Foram muito pobres em quantidade, mas riquíssimas em qualidade. Três livros, três clássicos (na minha humilde opinião), em ordem de leitura.

O Aleph, Jorge Luis Borges - quis ler o livro todo porque, além de ser essencial e blablabla, tenho uma história relacionada ao primeiro conto, O Imortal. Quando estava no primeiro período da faculdade de Arquitetura, o professor de História da Arte nos mandou ler o conto e fazer uma maquete representando a cidade citada nele. Eu não sabia nem por onde começa uma maquete, ainda mais de uma cidade toda surreal, com escadas inversas, janelas inalcançáveis, corredores sem saída e um labirinto de pedras. Não me lembro muito bem das reuniões pra decidir o que fazer, mas acho que, para mostrar melhor os detalhes, resolvemos fazer a maquete numa escala grande, e ela ficou muito, mas muuuuito grande. Teve que ser levada na caçamba de uma camionete, e ganhou o delicado apelido de Maquetauro. No conto, o personagem classifica a arquitetura da cidade como interminável, atroz, completamente insensata; baseada nesta visão, creio que nossa Maquetauro cumpriu bem seu papel. Eu deveria ter me tocado ali que arquitetura, enquanto profissão, não ia me servir, mas né, e o medo de voltar pra Capi City e nunca mais sair? E como abandonar as deliciosas aulas de História da Arte? Enfim, voltando ao livro, além do primeiro conto, que eu adoro, amei "A casa de Astérion", surpreendente, "Emma Zunz", uma espécie de Nina/Rita, e o conto que dá título ao livro. Acho que ainda não sou a leitora super bem preparada para quem o Borges escreve, mas isso não me impediu de apreciar o livro.

o remorso de baltazar serapião, valter hugo mãe - O escritor que aboliu as letras maiúsculas me pegou de jeito neste livro, o segundo dele que leio. É fácil perceber a influência de Saramago pela oralidade que o marca a narração. Foi difícil ler, a história é quase tão chocante como "O ensaio sobre a cegueira". A saga da família sarga, tão azarada, e a misoginia absoluta que permite aos maridos arrancar pedaços do corpo de suas mulheres, mistura-se à uma linguagem que inclui neologismos Guimarães Rosa inspired (bjo, blogueiras de muóda!). Um nó na garganta, o reconhecimento triste de que o que houve de mais cruel na história poderia ter acontecido hoje, agora, neste mundo real. Ao contrário dos outros lutos literários, que exigem um tempo sem outro livro para serem processados, este me exigiu o recomeço imediato de outra história, para não sucumbir. Como quem precisa de um gole de cachaça após botar na boca o limão mais azedo. A cachaça escolhida foi uma novinha, premiada:

A visita Cruel do tempo, Jennifer Egan - Gen.te. (Ela disse Gente!!, diriam Fred, Dafne, Scooby e Salsicha). Não é a toa que deram o Pulitzer pra Jennifer Egan. Eu sabia que ia gostar, desde que li sobre o debate dela com o Ian McEwan na FLIP, e que ele foi todo elogios para ela. Mas não sabia que ia gostar tanto. Para contar a história da passagem do tempo na vida dos personagens, ela escreve vários contos entrelaçados, ora escritos em primeira pessoa, ora em terceira. E, sem querer babar muito o ovo, mas já babando, ela conseguiu escrever um em segunda pessoa, tsá? Tem um capítulo inteirinho escrito em Power Point. Tem muita música sendo citada (afinal, um dos personagens é um produtor musical responsável pelo lançamento de uma banda de rock de sucesso). E tem eu tentando pateticamente descrever um livro incrível. Não acreditem em mim. Acreditem nos jurados do Pulitzer, e principalmente no Ian McEwan, um escritor foda. Um livro delícia, cujo único defeito é ter só 336 páginas. Jennifer, amigam, vamos deixar a preguiça de lado e escrever umas 600 paginas? Liga pro George R. R. Martin e pede umas dicas, fazfavô?

E assim acaba meu período de recesso do Facebook. Ou não, que já encomendei uma toalha LINDA pra eu bordar. Como eu disse no post anterior, eu sei bordar. Já fazer maquetes, fica pra próxima encarnação. Pra próxima depois da que vem agora, assim que eu morrer. Porque em seguida quero ser rycah, não arquiteta, ok, produção?

PS - eu tenho imagens da saudosa Maquetauro, mas vou poupar minhas colegas, hoje arquitetas famosas, chiques e elegantes, de ver a derrota que foi nosso início de carreira. Que fique claro que a derrota delas foi só esse pequeno entrevero no início da carreira, hoje elas são só sucesso. Quanto a mim, a derrota do início é companheirona, do tipo BFF, tamu junto.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Uma causa? Temos também!


O que uma perfeita dona de casa faz nas horas vagas (vamos supor que sim, há horas vagas no serviço doméstico)? Borda, faz pintura em tecido, aproveita pra anotar as receitas da Ana Maria Braga? Então, era pra eu estar bordando, mas né, a palavra "perfeita" não faz parte do título desse blog. Não que eu não seja capaz, para seu conhecimento. Meu ponto-de-cruz tem o avesso perfeito e é tão bem arrematado que uma toalha que bordei pro meu filho, há 8 anos atrás, está em frangalhos, mas o bordado permanece igual ao dia em que o fiz, só um pouquinho desbotado. E você aí pensando que feministas não podem ser prendadas, hein?

Esta dona de casa não só imperfeita, como também a pior delas, lê nas horas vagas. E estaria tudo dentro da normalidade instituída pelo patriarcado se minhas leituras se resumissem a chick-lit e àqueles romances de banca de revista, os populares Julia-Sabrina-Bianca. Já li, confesso. Mas depois de um certo tempo você não precisa ler nada além da sinopse pra saber exatamente o que vai acontecer à virginal/meiga/linda mocinha e ao misterioso/charmoso/másculo herói, então passa a procurar coisas mais interessantes. Bem, nem todos. Minha mãe e minha tia permanecem fiéis ao estilo (only god can judge).


Eu leio muito sobre feminismo. E direitos humanos. Estas leituras fizeram muita diferença na minha vida, muita mesmo. Consegui me libertar de muitos preconceitos. Consegui enxergar o mundo com outros olhos. Consegui aprender a me colocar no lugar do outro. Consegui entender que a regra de ouro (não faça aos outros aquilo que não quer que seja feito com você) não é tão de ouro assim, já que o que incomoda o outro nem sempre me incomoda, então este não é um parâmetro tão bom. Bom, dizer que consegui aprender é um pouco pretensioso. Digo que estou tentando aprender, é mais verdadeiro. Porque ainda tenho muito o que aprender.

Mesmo com o muito que ainda falta, posso dizer que foi uma grande mudança, motivada não só pelo feminismo, mas pelo olhar mais humanista que o feminismo me ajudou a ter. Ser eu mesma (o que eu vinha fazendo desde que me entendo por gente), ao contrário do que costumam dizer, não foi o melhor conselho. Eu sou resultado de muitos fatores, alguns não eram os melhores, os mais exemplares, adequados ou dignos de admiração. Eu poderia continuar sendo eu mesma, o resultado desse caldo, e creditar meus problemas aos tais fatores; ou poderia tentar mudar e aprender a ser a pessoa que gostaria de ser. Foi o que decidi.


É claro que ainda não sou esta pessoa (falta muito, mas muuuito), mas estou tentando aprender. Não é fácil nem indolor olhar pra mim mesma, identificar tudo de ruim e admitir que preciso mudar. Mas se eu quero um mundo melhor, ora, devo esperar que todo o resto da população resolva um dia ser mais legal, ou devo começar a mudança por mim mesma? Então, sabe aquela frase "pense globalmente e aja localmente"? Não se trata só de reciclagem (#ficadica).


Paralelamente à proposta de tentar ser uma pessoa melhor, tento também combater o que faz do mundo um lugar pior. Aquela velha história de escolher uma causa e lutar por ela. Pois é, a minha é o feminismo, mas não significa que não seja sensível a outras causas. Comecei querendo igualdade para mulheres, mas percebi que, se há igualdade para mulheres, mas não para homossexuais, não há igualdade. Não posso querer um mundo melhor pro meu filho e não querer também pro filho do vizinho. Então, minha causa é a igualdade. No more grupos dominantes no planeta, esta é a meta. É ambiciosa, eu sei. Mas não há plano para dominar o mundo que não comece com um pequeno passo, néam?
Este processo de mudança é doloroso não só porque olhar pra dentro é difícil, mas também porque me aprofundar no tema do sexismo abriu meus olhos, e agora não consigo mais não notar e não me incomodar com o machismo. E o pior é que as pessoas se recusam a aceitar que é machismo! "É só uma piada", sabe? Véi, naboua, nénão. É zombaria, é propagação de estereótipos, é ignorância, é MACHISMO. Porque o povo acha que machista é só neandertal que cata mulher com tacape e a leva pra caverna arrastada pelos cabelos, e não os idiotinhas de internet tipo Testosterona ou compartilhadores de Facebook. Eu, machista? Credo você é muito radical, nem posso fazer uma piadinha!


Como não posso injetar feminismo no cérebro das pessoas para que possam enxergar a realidade, eu tento explicar. Digo que aquilo é ofensivo, e porque é. Imagino que eu tenha autoridade pra falar sobre assunto, né, eu que sou mulher e sou o alvo das piadinhas. Mas não. Aparentemente, as pessoas se sentem no direito de julgar o que eu posso considerar como ofensa. Rola tipo uma listinha-de-motivos-pelos-quais-acho-que-as-pessoas-podem-se-sentir-ofendidas. Caso sua queixa não se encaixe ali, o cara diz "opa, aí, foi mal, mas você não tem o direito de se sentir ofendida com isso. Vou continuar fazendo minhas piadinhas, pare de mimimi e vá lutar contra a fome na África". O pior é que ninguém me deixa ver a listinha, sabe? Fico tão perdida!


Eu não perco a fé na humanidade porque sei, por experiência própria, que pessoas são capazes de mudar. Eu já fui esse cara, o da listinha. Eu já bati no peito com orgulho pra dizer que era politicamente incorreta. Eu já fui do tipo "Rafinha, tamo junto!". Pode me julgar, eu sei que mereço.


Foi com muita leitura e reflexão que consegui perceber que não quero ser esse tipo de pessoa, porque este não é o tipo de pessoa que faz do mundo um lugar melhor. Eu não quero ser alguém que, por não ter por que lutar, por estar em uma posição privilegiada (hello, homem-branco-hetero!), se acha no direito de decidir o que é ofensivo e o que não é. Se eu não sinto na pele, não posso questionar. É muita arrogância tentar questionar a causa do outro. Eu sou branca, então o que posso saber sobre ser alvo de discriminação racial? Sou hetero, o que posso saber sobre ser alvo de homofobia? Sou classe média, o que posso saber sobre sofrer preconceito por classe social? Só posso saber quando alguém, que sofre na pele, tem a bondade e a paciência de me explicar por que se sente ofendida. E eu posso pedir desculpas e me esforçar pra não repetir. Ou posso dizer que não abro mão do "direito" de me expressar do jeito que achar melhor, ainda que isso ofenda pessoas, como o cara da listinha.


Fiz uma escolha e convivo com ela. Sei que muitas pessoas me achavam super divertida porque eu não tinha o menor pudor em zombar das pessoas, propagar estereótipos e preconceitos, e que agora me acham chata e patrulhenta. Paciência. Assumo as consequências de ser quem eu sou. Para estar mais feliz comigo mesma abdico da amizade de alguns (considerando que seja amigo quem não te aceita como é e tenta te calar). E não posso abrir mão de ser respeitada como alguém que pensa, que é capaz de fazer escolhas inteligentes e que tem capacidade analítica suficiente pra julgar a realidade só para continuar sendo legal e divertida. Não faço mais piadas ofensivas, e não quer ser alvo delas. Se você insiste em fazê-las e eu digo que isso ofende o grupo ao qual pertenço, e minha reivindicação é menosprezada por não se encaixar na listinha-de-motivos-pelos-quais-as-pessoas-podem-se-sentir-ofendidas, estou sendo desrespeitada. E lamento, mas não respeito quem não me respeita. E não é porque eu me dou ao respeito que o mereço. Respeito é um pressuposto básico nas relações entre seres humanos, não importa a idade, sexo, cor, tamanho da saia, circunferência da coxa ou número de parceiros sexuais. Se você só respeita quem "se dá ao respeito", sinto informar, você é um babaca. Estou sendo dura? Bom, as qualidades que vejo atribuídas a mim em suas piadinhas também são: burra, fútil, interesseira (pra ficar só nas mais leves). E eu nem tenho direito de reclamar, porque minha solicitação não tá na listinha. Pra você ver como num tá fácil pra ninguém.


PS - Pessoas mais legais e inteligentes escreveram muito melhor do que eu sobre isso aqui e aqui.

domingo, 3 de junho de 2012

Nossos políticos nos representam muito bem*

Estamos muito acostumados a sair bradando nossa indignação contra a política atual, às vezes até desejando que uma bomba "limpe" o Congresso, ou conclamando os eleitores para anular o voto nas eleições. Estamos todos tão cansados e descrentes que já nem tentamos lutar, achamos que política e sujeira são sinônimos e que nada pode melhorar, apenas ficar menos pior, dependendo dos eleitos.
Não nos cansamos de admirar como são diferentes os parlamentares de "países desenvolvidos" (quem não viu este vídeo por aí?) e nos consternamos ao perceber que estamos tão longe desta realidade. Ás vezes até tentamos nos mobilizar, propagando que o nosso voto faz a diferença, que nas próximas eleições temos que nos informar, mas... isso dá tanto trabalho, e afinal de contas, só um voto não faz diferença, né?
Né. Nosso voto não faz diferença, porque a verdade é que estamos votando direitinho. Estamos escolhendo exatamente os políticos que nos representam, que mostram como somos de verdade. Somos assim: antiéticos, aproveitadores, espertos (no mau sentido), acostumados a dar um jeitinho pra nos safar dos problemas e nos orgulhar disso. Nós achamos absurdos os privilégios dos políticos, mas não admitimos nunca abrir mão dos nossos, por mais que saibamos que não temos direito a eles.

Nós admiramos a truculência da polícia em filmes e na vida real, expulsando os pobres do Pinheirinho e descendo o sarrafo nos estudantes maconheiros, mas ficamos indignados quando um amigo é abordado numa blitz com essa mesma truculência;

Ficamos irritados com a arrogância dos políticos, mas basta termos um cargo um pouquinho acima na hierarquia para tratarmos os subalternos como cachorros;

Somos contra o aborto, mas essa é a solução que sugerimos quando nosso filho adolescente engravida a namoradinha;

Achamos absurda a discriminação que os jogadores brasileiros sofrem no exterior, mas se vemos um negro de terno na porta de um restaurante, achamos que é o manobrista;

Protestamos contra a impunidade dos políticos, mas sempre recorremos das multas que levamos, até daquelas que sabemos que merecemos;

Xingamos os políticos e artistas que se recusam a passar pelo bafômetro, mas recorremos ao twitter para nos safar da blitz;

Somos contra a descriminalização da maconha, mas fumamos unzinho só pra relaxar.

Achamos que não há o menor problema em ter crucifixos nos órgãos públicos, mas reclamamos quando aparece um despacho perto de casa;

Somos contra a homofobia, desde que não apareça nenhum casal de viados se beijando na nossa frente;

Não queremos uma estação de metrô nas proximidades, pra não atrair gente diferenciada, mas exigimos que a empregada chegue no horário, não importa quantos ônibus ela tenha que pegar;

Deixamos os gringos pensarem que somos um povo alegre e cordial, mas vamos pra internet ameaçar as pessoas com idéias diferentes das nossas, de forma anônima;

Somos contra a distribuição de camisinhas nas escolas, mas temos um enfarto quando nossa filha adolescente engravida (e, claro, pagamos por um aborto clandestino, mas continuamos sendo contra o aborto!);

Ficamos indignados com a política de "uma mão lava a outra" do Congresso, mas se somos pegos de calça curta, ligamos praquele procurador amigo do nosso primo, pra quebrar nosso galho;

Estamos de acordo que o feminismo nem precisa mais existir, que as mulheres já são tratadas com igualdade, mas se uma delas se atrapalha no trânsito, somos os primeiros a gritar "volta pro fogão, Dona Maria!"

Choramos vendo os depoimentos dos torturados na ditadura, mas seguimos achando que nem foi tããão ruim assim, que foi uma ditabranda, coitados dos militares, se não torturassem os presos iam perder seus empregos;

Cansamos de falar que as mulheres tem direitos iguais, que conquistaram seu espaço, mas chamamos de puta e quase linchamos uma estudante que resolve se vestir com um vestido curto;

Apoiamos a tentativa da bancada evangélica de ditar regras e leis de acordo com suas convicções religiosas, mas ficamos muito incomodados com os mórmons batendo na porta de casa tentando nos converter à sua religião;

Choramos com o drama da mocinha da novela que ficou tetraplégica, pelas dificuldades que ela enfrenta, mas estacionamos na vaga de deficientes só um minutinho;

Protestamos contra um suposto estupro em um reality show, mas rimos do indivíduo que acha que mulher feia deveria agradecer por ser estuprada;

Ficamos chocados com as propinas e caixas 2 nas campanhas, mas temos sempre um agradinho pro seu guarda nos liberar numa boa;

Reclamamos do "povo dos Direitos Humanos", mas nos emocionamos com os filmes gringos que mostram pessoas quase executadas injustamente, salvas da injeção letal no último minuto graças ao empenho do povo dos Direitos Humanos.

Então é assim: a gente fala mal dos políticos, mas não olhamos pro próprio umbigo. Com que moral exigimos ética na política, se a gente não tem no dia a dia?

“Querer-se livre é também querer livres os outros”
Simone de Beauvoir

* post inspirado por este vídeo.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O pior tipo de vizinho

Todo mundo reclama dos vizinhos, no Facebook, no twitter, na fila do pão. Tem o que não limpa o cocô do cachorro, o que rouba um pedaço da sua vaga na garagem, o que tumultua a reunião do condomínio. Mas o mais odiado é, disparado, o vizinho pagodeiro. Nunca falha, tem sempre alguém criticando os gostos musicais da vizinhança. E os pagodeiros, coitados, são sempre os mais lembrados, esses injustiçados. Não que eu tenha passado pro time, nada disso! Mas é preciso reparar essa injustiça com os pobres: vizinho pagodeiro não é, nem de longe, tão terrível quanto o verdadeiro e único pior vizinho do mundo (que, por acaso, é o meu): o cozinheiro de mão cheia.
Gente, essas criaturas são maléficas, vocês não tem noção! Como posso sobreviver a esta tortura? Como lidar com pessoas que assam pernil em plena quinta-feira à noite, enquanto tudo que você tem pra comer em casa é a sobra do almoço de hoje, que por sua vez foi a sobra do almoço de ontem?
Estas criaturas cruéis, sádicas e sem amor no coração não se importam em perfumar todo o condomínio com o cheiro das mais deliciosas comidas, a qualquer hora do dia ou da noite, matando geral de vontade de provar um pedacinho que, é óbvio, não será oferecido. Malditos!
Ontem uma alma maligna vizinha resolveu assar pão de queijo em plena tarde de feriado. E gente, eu disse assar? Não é que ela comprou o pacotinho da Pif Paf e botou no forno, como faria a creusa que voz fala. Ela comprou o polvilho, o ovo, o leite, o óleo e o queijo curado (mas muuuito queijo), fez a massa, melecou a mão de oleo e fez as bolotinhas que colocou no forno e assou, tal e qual sua avó faria. E o cheiro se espalhou por todo o quarteirão!!! Um cheiro maravilhoso, de infância, de casa de vó, de primos em volta da mesa, de tarde de inverno... Enquanto isso, na mesa de café da tarde creusística tínhamos pão, margarina (e não manteiga), café e leite (yes, this is sparta). Comofas????
Desconfio que esta pessoa seja a mesma que faz café to-dos-os-di-as às 7h da manhã. Justamente na hora que saio para levar ascriança e passo na porta da casa da pessoa. Daí vocês, leitores (sobrou alguém?) perguntarão por que cargas d'água eu não passo um café, tão simples, rápido e fácil. Mas eu passo. É que nunca, marrnunca que o cheiro do meu café fica sequer parecido com o da vizinha, aquela sádica.
E preciso mencionar os dias em que meu olfato identifica torta, carne assada, lasanha e até, pasme!, biscoitinho frito de polvilho?
Toda essa orgia gastronômica acontecendo nos arredores, aromas invadindo meu apartamento e cadê que recebo um topoér com o restinho da janta? Como sofro!
E vocês aí, reclamando do pagodeiro... Francamente! Bota um fone de ouvido, oras! Quero ver tampar o nariz enquanto a vizinhança resolve testar as receitas da Ana Maria Braga. Humpf!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Gente, sumi, voltei, não vamos nos alongar tá?
Então, eu mal saio de casa, e nada me acontece que eu ache digo de contar aqui, mas aí lembrei do cara da escolinha de futebol... Gente, sabe cara escroto? ES-CRO-TO. Primeiro eu notei o filho dele, que estava na quadra perdidão, total falta de jeito com futebol. Mas até aí tudo bem, criança, né, não tem que saber jogar, tá lá pra aprender. Mas a questão é que ele estava totalmente tenso, não sabia se olhava pra bola ou pro pai na arquibancada, e aí claro, errava passe, perdia a bola... Numa dessas, o pai grita "porra, fulaninho, perder uma bola dessas, brincadeira!!" Gente, oi? O menino na primeira aula de futebol e cara cobrando como se fosse o Ronaldinho no Flamengo. Aí é claaaaro que fui botar reparo na dinâmica familiar e analisar (comunidade Devia ter feito psicologia: 1 membro). O menino absolutamente inseguro, a cada passe ele olhava pro pai com cara de acertei, papai?, tenso, sem o menor jeito pra jogar, os colegas meio impacientes porque ele não conseguia se concentrar no jogo e errava um monte... O pai, a cada erro do filho, soltava um "porra, fulaninho"... Tanta dó desse menino! E quando o filho do neandertal não estava jogando, sabe o que rolava? Criatura se enturmou com outro ogro e ficavam numas de "minha cobertura é mais cara que a sua", "meu carro é mais potente que o seu", juro.por.deus. Saquinho de vômito, cadê?
Um dia o ogro coadjuvante não veio e o pai do pobre menino tentou se enturmar com a mãe de outro menino. Ela saiu de perto dele e veio puxar papo comigo (e gente, alguém vir falar comigo é um ato de desespero imenso, pq eu boto um óculos e fico lendo livro com um neon vermelho na minha testa piscando DO NOT DISTURB), falando "olha, vou ficar aqui com vc, pq neandertal tá puxando papo comigo e eu não dô conta", aí resolvi socializar e falei "really? sabe q eu reparei q os papinhos dele não são dos mais agradáveis?" e ela "pois é, só fala de carro e cobertura, e trata esse menino muito mal, certeza que ele obrigou o filho a fazer futebol só pra mostrar pros outros que ele é macho" "vc acha???" "certeza! e olha, torço pro menino ser viado, vai ser um castigo e tanto pro pai nojento" Olham, juro que eu queria ser uma pessoa com deus no coração e falar "que isso, fulana, não fala assim" mas, né, concordei total!

E essa mesma mãe outro dia veio conversar comigo sobre qualquer outra coisa e papo vai, papo vem, falo que sou do interior, que tive filho nova, e ela já cria todo um filme na cabeça, pensando que me casei com o primeiro e único namorado (oi??? realidade mandou um postal do Alaska). Adoro as pessoas me verem de óculos e livro e pensarem que sou noivinha-virgem-casando-com-namoradinho-da-quinta-série... Querida, it's Livia, bitch!

***

Isso me fez lembrar das pessoas com quem já disseram que sou parecida, vai vendo: Mel Lisboa, Sheila Carvalho e Priscila Pires. Todas.capa.da.playboy. Teria eu cara de piriguete? Ou de noivinha virgem do interior? Seria eu tipo Super-homem?  De óculos, Clark Kent, sem óculos, homem de aço? Reflitão...

Engraçado que sempre frisavam que era O ROSTO que parecia, tipos, o corpo tá bem longe, viu, fia? Como se eu não soubesse, tenho espelho de corpo inteiro em casa, tá?

***

Eu nem julgo a mulher que inventou uma vida pra mim na cabeça dela pq, sabe, faço isso to-da-ho-ra, mas nem falo pra ninguém, que não sou louca. Por manter os pensamentos guardados na cabeça é que ainda tenho amigos nesse mundo. Se nego soubesse o que se passa aqui dentro, caras, meu cérebro estaria sendo dissecado num hospital-escola por vários neurologistas e psiquiatras que estariam se perguntando "por que, meodeos, por que??????"

***

Queria muito dar uma de doida e sair falando "meu cu!" pra geral, mas recalque? Entrei na fila 3 vezes. Além do mais, tenho filho, não posso dar mal exemplo (filhos: tolhendo sua liberdade de expressão desde o nascimento). De modos que se vocês virem uns palavrões por aqui não se espantem, eu não posso falar, e só pensar não tá me bastando.

***

Facebook é vida, e amigos que dividem as bagaceiras da internet com você são luz! A Ana me manda o link pra isso aqui, e olha, chega um momento da sua vida que palavras não conseguem descrever a força do sentimento de vergonha alheia. Já é nesse mês que o mundo acaba? Pq, tipos, uma das sete pragas do egito já chegou. Eu só consigo pensar: vergonha de ir na padaria de shortinho sem depilar a perna? Nunca mais. O que é você por aí com a perna cabeluda diante dessa criatura com a cara cor de tijolo baiano? Gente, sério, nem jesus na causa. Demora muito pra chegar o meteoro que vai nos extinguir? Tô contando as horas.


sábado, 31 de dezembro de 2011

Balanço geral

Em 2011 eu:

- fiquei desempregada
- me ferrei
- deixei de ouvir muitos nãos (porque nem chegava nessa fase, já era descartada antes)
- passei no vestibular de uma federal
- já nos 45 do segundo tempo, tive uma DR bem difícil
- percebi que a saúde não é mais a mesma
- vi meu filho ficar cada vez mais parecido comigo
- vivi novamente o pesadelo de ser dona de casa
- fiz meu cabelo voltar ao normal
- admirei mais ainda a generosidade do maridón
- comecei um blog
- descumpri a promessa de escrever todos os dias no blog
- conquistei 5 leitores (se é que nenhum se perdeu pelo caminho)
- vi meu filho ganhar o campeonato de futebol
- me afastei de alguns amigos e me reaproximei de outros
- conheci muita gente interessante (até um neto bastardo de meu bisavô, brinks!)
- li coisas por aí que me fizeram repensar todos os meus valores
- passei os últimos 10 meses me preocupando em como sair do buraco negro da minha vida profissional
- tentei abrir um negócio
- li O Memorial do Convento
- li Desventuras em Série com o filhote
- li Bill Bryson
- li Kazuo Ishiguro
- li Jonathan Franzen
- li Carl Sagan
- li a biografia da Maria Antonieta
- li muuuuitos livros
- tentei estudar pra concurso
- vi minha família se reconfigurar
- passei a gostar cada vez mais do meu corpitcho totalmente original de fábrica (exceto por uma trompa que se foi...)
- aprendi a questionar mais e a desconfiar das "verdades" que a mídia propaga
- topei com gente muuuito inteligente, e gente muuuuito burra
- tentei descobrir um caminho pra conseguir trabalhar com algo que gosto (e não consegui)
- senti saudades de coisas que nem vivi
- lamentei não ter me jogado no mundo quando não tinha o que perder
- desejei ter feito tudo diferente
- percebi que me transformei em algo que nunca quis ser (e que isso me fez feliz)
- me decepcionei muito, muito, muito, comigo mesma e com os outros
- me esforcei pra tentar ser uma pessoa melhor
- gastei mais do que podia
- conheci a cidade de Mariana (e tive uma das noites mais bem dormidas da vida)
- dancei até cair na festa de casamento do meu irmão
- ri muito
- chorei muito
- desejei voltar a uma situaçao que já vivi e não gostei só pra tentar sair da situação atual
- encontrei uma pessoa que estava realmente disposta a me ajudar, mesmo me conhecendo tão pouco
- encontrei pessoas dispostas a me ferrar, sem nem me conhecer
- li um livro inteirinho em espanhol (ok, era em quadrinhos)
- negligenciei a limpeza da cozinha até não ter vontade de voltar lá nunca mais
- me culpei por ter errado na educação do filhote e por não ser um exemplo melhor de pessoa pra ele
- raspei a lateral do carro no portão
- completei 12 anos de casada e 10 de maternidade
- competei 32 anos (com corpinho de 31 e idade mental variando entre 13 e 56 anos)
- comecei e larguei um trabalho em menos de 1 mês
- peguei 17 livros na biblioteca pública

Em 2012 eu quero:

- ganhar na mega sena

bjomeligaquandomeusnúmerosforemsorteados!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Creuza de natal

Olá, amiga creuza natalina!!!
Sentiu minha falta? Estava ansiosa esperando a minha receita para a noite de natal? Que bom, pois eu tenho uma receita! (óóóóóó) Sim, eu tenho, é verdade! Está na família há anos, e é o que eu faço em todos os natais, desde pequena. A melhor parte é que não é difícil executar e o resultado é sempre ótimo, nunca deu errado. Sabe o que eu faço? Anota aí: eu fico longe da cozinha e deixo a mamãe, as tias e primas que entendem do negócio cuidarem da comida. Não é ótimo? A minha família ADORA essa receita e temos natais muito felizes assim. Espero que funcione pra você também! (Exceto se você for a minha mãe ou uma das tias e primas supracitadas, porque ALGUÉM tem que alimentar essa família)
Difícil fugir do tema natalino neste mês, até porque não tenho outro assunto mesmo, por isso não vou ser do contra. Claro que meus queridos leitores (todos os cinco. Sim, eu tenho agora 5 leitores! EEEEEEEE) não esperam encontrar aqui dicas de maquiagem ou looks natalinos, né? A receita de natal eu já dei, e super recomendo! O que vocês sabem que encontram aqui, com uma regularidade de visita em cemitério de interior (uma vez por ano, e olhe lá) é um post contando as minhas últimas peripécias, nas quais invariavelmente me dou mal. Este é um talento para poucos, meus queridos, a arte da auto-sabotagem não é assim tão fácil quanto pode parecer, mas se quiserem se aperfeiçoar no tema, aprendam com a mestra (eu, óbvio). Graças a estas artes, estou hoje desempregada, mas o que poderia ser algo péssimo revelou-se uma grande vantagem neste mês: passei incólume pelas compras natalinas, porque não comprei um presente sequer! Sim, creuza, estar desempregada te livra de amigo-ocultos do inferno, filas gigantes nos caixas das lojas, da luta insana por uma vaga de estacionamento no shopping e das caras de desgosto de quem não curtiu o presente que você deu (e que lhe custou, além dos olhos da cara, praticamente o dobro do valor em estacionamento). Livrar-se dessas agruras é uma benção, desde que você não se importe com comentários do tipo "Dona Marieta, aquela sua filha desempregada chegou" e com as perguntas "Mas porque vc saiu daquele último emprego? Era tão bom!". Nesta hora, caro leitor, antes de enfiar a faca do pernil nesta pessoa que-ri-da, conte até dez e desvie o assunto: "Nossa, e a minha irmã Maura que até hoje não casou, coitada. Papai está tão preocupado, ela já passou dos 30!". Pronto amiga, você contornou com classe e elegância a situação, porque com certeza uma solteirona na família é muuuuito pior que uma desempregada (vai por mim, família de interior de Minas) e renderá muito mais assunto. Ahn, e neste caso, é bom que você seja casada, tá? Se você for solteira AND desempregada, use a faca do pernil e corte na linha abaixo do pulso (mas não no dia da ceia, não vá estragar o natal dascriança!).
E feliz natal pra nóis tudo!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Respondendo cartinhas durante a TPM

Todos os meus (3) leitores sabem que estou fazendo faculdade de novo, né? Pois então, em setembro recebi uma cartinha da minha querida faculdade reclamando que, no meu histórico, o RG estava errado, e que era pra eu ir até a escola onde fiz o ensino médio e mandar corrigirem.
Seria tudo mui lindo, se eu não tivesse feito o ensino médio a 300km de onde moro, e se não tivesse uma explicação bem plausível para o "erro". Acontece que quando fiz o ensino médio, tinha a primeira via do RG, que era assim: M-999999. Quando tirei a segunda via, ficou assim: MG-999999. Ou seja, o número ficou exatamente igual, só que sei lá por que cargas d'água o povo resolveu acrescentar uma letra na bagaça, causando todo um rebuliço no departamento de matrícula da referida faculdade, que alegou que assim não pode, assim não dá.
Depois de ligar pro departamento e explicar a situação, a burocratazinha padrão disse que eu teria que enviar o histórico corrigido ou uma cópia do antigo RG. Imagina se iam aceitar esta gravíssima discrepância nos meus dados assim, sem um documentozinho que comprove! Graças a mim mesma, que sou muito organizada, eu tinha o velho RG e enviei a cópia.
Então ontem, estava eu feliz e contente assistindo Mulheres de Areia estudando, ni qui chega outra cartinha da faculdade. Palpitación, palpitación, será que é o meu comprovante de matrícula que solicitei há 23 anos? Rá! Pegadinha do malandro! Era outra cartinha, igual a anterior, solicitando que eu alterasse a minha naturalidade e acrescentasse os dados de quem assinou o histórico pelo diretor do colégio.
Mas vejam vocês três, leitores, que a minha naturalidade é uma pequena e aprazível cidade chamada PIUMHI. É assim mesmo que escreve, com M. Mas isso deve ter dado quase um ataque epiléptico na burocrata do departamento de matrícula, porque ela me mandou corrigir a naturalidade para PIUNHI, vejam vocês! Imagine a renomada faculdade federal do triângulo mineiro aceitar que exista uma cidade com nome de tão original grafia... Inadmissível!
E reparem em mais uma coisa: porque ca*alhos a criatura não mandou estas solicitações todas numa carta só??? Eles não conseguem avaliar um histórico, anotar TODOS os erros, e enviar numa carta só pro aluno? Há algum protocolo que obrigue o funcionário a enviar uma carta por cada item errado? Nesse caso, a segunda carta contem dois itens, preciso então esperar ela mandar uma terceira? São muitos questionamentos e indagações na vida da pessoua...
Mas enfim, eu, no auge da tpm, sem nenhum chocolate num raio de 300m, resolvi me divertir respondendo a cartinha, num lindo email que copio aqui para vocês:

"Caros funcionários do Depto de Matrícula da renomada universidade federal localizada no triângulo mineiro,
Recebi hoje, mais uma vez, meu histórico escolar, para que fossem corrigidos alguns dados.
Da primeira vez, era um problema gravíssimo, que poderia manchar para sempre o nome da Universidade e cobri-la de vergonha por todos os séculos vindouros: uma letra que faltava no meu RG. Esclareci por telefone o erro, mas obviamente não bastou, tive que enviar documento comprovando para alimentar a burocracia, afinal, como a esta faculdade poderia explicar que faltava uma letra no RG de um aluno sem um documento mostrando o fato, para engordar a pastinha do aluno? Inadmissível! Não importa se o que importa no RG são os números, e estes estivesse rigorosamente corretos, a falta de uma letra é algo realmente inaceitável.
Mas eis que recebo hoje, de novo meu histórico, desta vez com duas solicitações novas (que misteriosamente não foram notadas na primeira vez - imagino que os burocratas só consigam analisar um item de cada vez, pra não sobrecarregar o "sistema"):
1-que corrijam a minha naturalidade, que está grafada como PIUMHI, e o esperto burocrata quer que mude para PIUNHI. Se o brilhante funcionário soubesse fazer uma sinapse, teria percebido que no RG está escrito PIUMHI (e olha só, a Policia Civil que escreveu, hein?), se soubesse fazer alguns pares de sinapse, teria digitado PIUMHI no Google e teria encontrado o site da Prefeitura de PIUMHI, teria encontrado na wikipedia o verbete PIUMHI, teria até ficado sabendo da Exposição Agropecuária de PIUMHI. Será que nem a própria Prefeitura sabe escrever o nome correto da cidade? Ou será que nosso sábio burocrata ficou com preguiça de fazer sinapses e tascou uma cartinha pro aluno? Bem mais fácil, né? Afinal, alunos são burros, estão sempre errados. Esperto é o burocrata, que passou num concurso e recebe o salarinho todo mês, independente das burradas que faça no serviço. Mas desta vez, infelizmente, o burocrata se deu mal, pois a grafia está correta, da forma que consta no histórico. Então, a menos que o gênio burocrata da queira enviar ofício para o Governo de MG solicitando a alteração da grafia do nome da cidade de PIUMHI, não há nada que ser corrigido. E fica a dica para, da próxima vez, usar o Google, para não onerar os cofres públicos com o envio de correspondência inútil, motivada pela falta de conhecimento geral dos servidores.
2-que constem os dados de quem assina pelo diretor do colégio. Entendo que seja necessário (não imprescindível), mas por que isso não foi mencionado antes??? Vocês já tinham questionado dados do meu histórico, eu enviei a correção, e agora vocês inventam mais um problema, para que eu envie de novo, e aí vocês vão inventar outro problema, e assim por diante.
Quero saber EXATAMENTE o que deve constar no meu histórico, para eu enviar de uma vez por todas, pois como eu já disse, a escola que estudei fica a mais de 300km de onde moro, e não posso ficar indo lá ao gosto da burocracia de vocês. Se vocês não tem o menor pudor em gastar o dinheiro do estado com burocracias inúteis, eu tenho em gastar o meu, e não vou enviar NADA até que vocês digam o que e como é preciso constar no meu histórico. Ah, e quanto a grafia de PIUMHI, enviem cartinha pro Governo de MG. Assim que ele resolver alterar o nome da cidade, vocês me avisam.

Atenciosamente,


L.T."


De modos que agora, além dos meus documentos, deve haver uma galinha preta, dois chicletes mastigados, meleca endurecida  e um sapo com meu nome dentro da boca na minha pastinha da faculdade. Além, é claro, de estarem enlouquecidos procurando por uma crase colocada incorretamente em toda a minha documentação, para enviar mais cartinhas pedindo correção.


*Update: corrigindo um equívoco, conforme solicitado pelo Wesley nos comentários, são QUATRO os meus leitores agora! Yey!! Adsense, me aguarde!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Desencanto

Você está se sentindo sozinho, precisando de consolo e de conforto? Abra um livro.
Ele não vai julgá-lo. Não vai apontar todos os seus erros. Não vai se importar se você não corresponde a um ideal de comportamento. Você nunca verá censura no olhar de um livro. Ele nao vai tratá-lo melhor após um aumento de salário. Nem pior. Um livro jamais se importará por você não ter sido eleito o fucionário do mês. Ou a garota do Fantástico. Você não vai ser considerado muito gordo para ler um livro. Um livro jamais terá que desligar porque precisa buscar a roupa na lavanderia. Um livro nunca lhe dirá que faz isso para o seu próprio bem. Ele não vai olhar feio para o seu esmalte descascando. Ele não vai sugerir que você alise o cabelo, ou que se vista melhor. Não há problema em procurar um livro se você estiver bêbado às 3 da manhã. Um livro não pergunta por que você fez isso. Ele não vai se  recusar a abrir suas páginas se você reclamar do seu conteúdo. Um livro nem mesmo se incomoda se você se preocupa com a paz mundial. Para um livro, tanto faz se você almoçou salmão ou miojo. Ou os dois. Um livro não muda seu status para ausente quando você fica on-line. Ele não é capaz de evitá-lo porque você está depressivo. Nem vai te mostrar todos os sapatos que comprou na liquidação. Um livro, qualquer livro, não vai querer saber quanto custou seu carro. Nem se ele tem banco de couro. Um livro não vai dizer que seu irmão sim é que deu certo na vida.
Um livro sempre está ali. Para você. Por você. Não importa em que situação, não importa o quanto você o tratou mal. Não importa o quão mal você foi tratado. Um livro jamais te deixará sozinho.
Os livros são assim. As pessoas não.

(Reading in a Red Dress, Helen Cooper - vi aqui)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Enquanto a megasena não vem, vou me divertindo com o RH

Hellou, people!!
Pensaram que eu tinha ligado o gás e enfiado a cabeça no forno, tale e quale a Sylvia Plath, né? Pois olha, foi quase, viu?
A verdade é que tenho pensado bastante em alguns aspectos da minha vida, e fiquei bem triste com algo muito, muito negativo que precisa de uma mudança urgente: meu saldo bancário. Como diria minha guru espiritual, Kátia: não está sendo fácil.
Como todo pobre sem perspectiva que se preza, gasto meu tempo estudando para conseguir algo melhor imaginando como gastaria o premio da megasena. Qualquer 200 mil já serviria pra mudar a dura realidade, mas uns milhõezinhos resolveriam to-dos os meus problemas, pensa! Quero dizer, alguns não tem jeito, né? Tipo ser boa mãe. Acho que isso a megasena não resolveria, pobre do meu filho. Mas ele é uma criança de sorte, consegue sobreviver e até ser uma boa pessoa, apesar da mãe. Ele não cospe na cara de ninguém, nem exige de natal um celular que custa meu rim esquerdo. "Ah, mas isso é o mínimo!", você deve estar pensando, desavisado leitor. Pois vá numa festa de dia das mães na escola e depois me fala, tá?
Enquanto a megasena não vem, vou procurando vagas na internet. Das 7.833 vagas do Yahoo (que vão desde auxiliar de pedreiro até engenheiro aeroespacial), mando meu currículo para 347 vagas com meu perfil. Destas 347, apenas 2 me convidam para uma entrevista. Destas, nenhuma me dá um retorno. Bacana, né? O povo do RH é muito ocupado, tadinho, porque não tem tempo nem de mandar um email com cópia oculta para todos os candidatos dispensados do processo seletivo agradecendo a participação. Mas eu entendo. Dá muito trabalho fazer isso. Imagine uma mensagem padrão para enviar para todos os dispensados, em qualquer processo seletivo, como essa:

"Agradecemos sua participação em nosso processo seletivo. Informamos que a vaga foi preenchida e que seu currículo permanecerá em nosso banco de dados para futuras oportunidades."

Objetiva e sucinta, né? Mas pensa, eu gastei inacreditáves 2 minutos pra escrever! É muito tempo na vida de um profissional de RH, não dá! Quando se tem uma vida assim tão ocupada e cheia de atribulações, o respeito e consideração pelas pessoas acaba ficando em segundo plano mesmo, não tem jeito. Mas a gente entende, coitados. Sabemos que é importante que eles mantenham o foco no que realmente importa: checar as mensagem no facebook melhorar as relações humanas no ambiente de trabalho.

Ainda sobre o RH, estou um pouco intrigada com a imagem que estas pessoas tem de mim... Eu me acho até espertinha, sei falar corretamente, me portar com educação e cordialidade, sei até ter uma postura profissional, acredita? Mas algo não está batendo e penso se não tenho alguma doença psiquiátrica que me faz ter uma visão distorcida de mim mesma... Vou contar a história toda para os leitores (todos os 3) me ajudarem: eu me candidatei a uma vaga de secretária de escritório de advocacia. Os pré-requisitos eram nível superior (confere!), boa comunicação escrita e verbal (confere!), organização (opa, confere demais!). As atividades a realizar eram: marcar e controlar compromissos, reuniões e viagens, compra de passagens, reserva de hotéis e aluguel de veículos, atender chamadas telefônicas, digitar cartas, relatórios, apresentações e outros documentos. Tranquilo, né? Daí eu fui toda pimpona, bem vestida, achando que estava mais que capacitada pra vaga. A tia do RH olhou meu currículo e não encontrou uma experiência anterior como secretária. Mas, né, experiência anterior não era um requisito (eu só pensei, tá? Claro que não falei isso pra tia. Eu olhei pra ela com um olhar assertivo e profissional, como recomenda tio Max Gheringer, aquele puto). Aí começa o famoso papinho de RH: "Olha, Lívia, esta vaga é pra secretária de ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA (aqui ela atribuiu uma importância comparável à sede da ONU), vai atender um casal de ADVOGADOS (grau de importância atribuído = Nicolas Sarkozy e Carla Bruni), cuidar das passagens, reserva de hotéis, é um trabalho BASTANTE ESPECIALIZADO (grau de importância atribuído = neurocirurgião especialista no lobo temporal direito), né? Então estamos procurando alguém mais especializado nessa área mesmo. Mas vamos manter seu currículo no banco de dados no caso de surgir alguma outra oportunidade no seu perfil, tá bom?" o.O
De modos que posso pensar em duas possibilidades: 1-eu penso que passo uma imagem profissional, mas a imagem verdadeira é a de uma tapada que não consegue entrar no site da GOL pra comprar passagem e 2-preciso fazer um doutorado pra me especializar nesta função altamente especializada. Quem sabe depois de uns 4 anos de estudos e uma defesa de tese em inglês arcaico eu consiga finalmente ligar pra Localiza e alugar um carro, né? Q q 6 acham???